sábado, 10 de dezembro de 2011

Gigante Adormecido

O Gigante Adormecido

Dorme como um forte, ó Gigante de antigas eras, desafiando a eternidade
com o peito aberto aos ventos dos mares que desnudam suas serras
enquanto a lua minguante sobre seus ombros sorri de felicidade
aos poetas que como sentinelas velam nas boemias as noites belas
com o encanto de poesias que semeiam amores no coração da cidade
povoando suas encostas com as brisas repletas da alegria das festas

Dorme seu sono de pedra, Ó gigante que se perfuma nas primaveras
fazendo abrir na umidade de suas matas fechadas as flores mais belas
Enquanto as nuvens apaixonadas fazem sombra sobre seu rosto
e deitam em seu corpo um refrescante manto de névoa
para proteger da inclemência dos raios do sol os seus sonhos
cujas revelações prometem um dia despertar toda a terra

Sua postura grandiosa em completa lassidão
incomoda o espírito mercenário dos arautos da civilização
que não entendem porque dorme ao relento
sob o brilho das estrelas e o rugir dos ventos
o maior guerreiro de todos os tempos

Doce indolência face às violentas tempestades
ressalta a ossatura de seus rochedos
afrontando com imponência os homens de prestígio
que precisam esconder-se no abrigo das mansões
para se sentirem seguros das misérias que produzem

Ó Gigante de pedra, ostenta a virilidade de progenitor
na rocha do corcovado em curvatura exponencial
assedia a abóbada celeste sem o menor pudor
desafia a gravidade com seu apelo sedutor
elevando ao céu seu monumento natural
e como prova do poder divino do amor
dá à cidade um clima de eterno carnaval

Ó rocha sagrada que fecunda a esperança de uma terra ideal
incita-nos a gozar a vida em todo o seu esplendor
sem preconceito, hipocrisia ou falsa moral
Dá-nos o exemplo da liberdade que emana do fogo interior
criador de toda a beleza do universo
Gesta em silêncio o gozo libertador
com a leveza de quem sustenta em seu cume
sem jamais perder o vigor
a gigante estátua do Cristo Redentor

Ó Gigante de pedra, símbolo da força descomunal da minha terra
Refresca o pé de pão-de-açucar na beira-do-mar
inchado de tanto andar pelo mundo até encontrar o paraíso
onde a força de seu poder onírico eleva as consciências ao delírio
para revelar às multidões que acorrem aos seus pés verdades em desvarios

A cabeça de sonhador desponta encantadora no morro da Gávea
inspirando as mentes a buscarem a liberdade dos horizontes
como um ímã que atrai para os êxtases dos abismos as asas-deltas
em pensamentos selvagens a voarem ao redor de sua fronte
descobrindo em suas aventuras as paisagens mais belas
que por ironia estão destinadas na maioria a ser prêmio das favelas

Ó Gigante de pedra! Obra de arte monumental esculpida pelos tempos
Em seu sono hipnótico teu rosto reluz como uma esfinge
enfeitiçando o olhar das pessoas que a observam no pôr-do-sol
lançar no silêncio dos vales como um bando de aves a pergunta sublime
desafiando os pensamentos mais perspicazes a descobrir
como derrotar a tirania do destino que lhes oprime

As nuvens impacientes com as queimadas das matas virgens
rugem com trovões e com milhares de raios te atingem
tentando despertá-lo do sono cheio de gozos
e acabam por despencar do céu sobre seus cumes em vertigens
lavando seu corpo e limpando seu rosto de fuligens
fazendo nascer em seu solo fontes e cachoeiras refrescantes
onde se banham e se refrescam os espíritos errantes

Ó Gigante Adormecido na baía da Guanabara
fonte de lendas e histórias fantásticas
cultuado com muitas festas nos morros exuberantes
sempre cantado em belos acordes, pintados em cores vibrantes
lugar sagrado que os homens desfrutam no olhar
passeando nas praias, mergulhando no mar
Faz com que todas as pessoas do mundo comecem a se amar
Sob o efeito magnético de tua presença milenar

Ó Gigante de pedra, dorme em berço esplêndido seu sono profundo
e desperta com seus sonhos todos os guerreiros do mundo
defende com a força de seus mitos a riqueza do paraíso
Remove a civilização de seu desatino para cumprir seu glorioso destino
com a maturidade que se emancipa ao reencontrar o seu princípio
Faça-a conviver com a floresta com a mesma sabedoria dos índios

Ó Gigante de pedra, guardião das vidas entregues à poesia
Aplaca com sua fantasia a fissura de todos os vícios
Arma minha alma com palavras de tamanha beleza
que desperte em todos os corações o amor pela natureza
defendendo com as idéias da humanidade a sua fortaleza

Ó gigante de pedra composto de vales, rios e montanhas
onde dormem na glória de suas lutas tribos inteiras
dizimadas pelas pestes, pela ganância, pelas guerras
estanque a ferida aberta em nossa história de ódio
libertando a vida usurpada como escrava dos negócios
com sua preguiça valiosa produtora de toda a riqueza do ócio

Ó gigante que seduz as estrelas, impávido colosso da América
Alimenta seu povo com o fogo do magma que soldou suas pedras
para que a vida seja grandiosa, farta, justa e bela
brotando exuberante do seio fecundo das florestas
e você embalado pelas brisas carregadas com a alegria das festas
possa dormir eternamente sobre o solo generoso da nossa terra

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