Trator-poeta
Revira as entranhas da terra
procura sua poesia perdida
entre os destroços da guerra
Ruje como fera
levanta suas mãos de ferro
contra as paredes de concreto
e com um só golpe
faz voar em padaços o muro de cimento
que semeia o deserto
Liberta a terra do império
que a sufoca sobre um manto de asfalto
livra-a da prisão e da tortura
Desfila pelas ruas
Rompe o asfalto
liberta os rios
traz de volta os horizontes
remove os abismos
Abre os caminhos
liberta as nascentes
que nascem na face da terra
para que possam correr à luz do céu
Depois dorme nos braços de sua amada terra
com o braço apoiado sobre o seu seio desnudo
e sonha com as paisagens mais belas
Planta com seu motor à explosão
novas auroras no coração do poeta
Afaga com pá de aço o seio desnudo da terra
prepara o chão para novas florestas
Ó trator-poeta
fera da era moderna que carrega nas veias
o sangue de anscestrais extintos soterrados pelas montanhas
Meu coração aliado à força dos seus cavalos à vapor
pode derrubar todos os muros de uma cidade
num fim de tarde, antes do sol se pôr
Levanta de seu esconderijo subterrâneo
e com seu sangue negro
realiza o sonho de suas florestas imortais
desperta das cinzas de outras eras
o fogo de nossas poesias
Levanta sobre as paredes de concreto o seu braço de aço
E avança sobre os muros que dividem o mundo
Destrói todos os prédios e reduz a migalhas todos os séculos
de malditas construções para aprisionar a humanidade
Vamos dançar sobre os destroços
deixa a terra respirar ao sol
livre da mordaça do concreto
a terra livre será nossa obra de arte
Ó Espírito e máquinas de minha era
façamos uma obra bela
vinguemos os séculos da queima de seus restos mortais
de plantações de sofrimentos e misérias
destruamos o deserto com golpes de mãos abertas
plantemos somente oásis sobre a terra
realizemos nosso desejo comum
revelemos que se esconde no verso
do deserto de concreto que
impera
o verso do sonho do poeta
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